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Inteligência Artificial: notícias, análises e o futuro da tecnologia
Se você já viu no cardápio de um aplicativo de delivery uma foto de camarão em formato de rosquinha ou um sanduíche que parece mais uma escultura abstrata, não está sozinho. Nos últimos meses, restaurantes, cafés e marcas de alimentos têm adotado a inteligência artificial (IA) para gerar imagens promocionais de seus pratos. O problema? O resultado visual é, na maioria das vezes, estranho, distorcido e pouco apetitoso.
Um artigo recente, publicado em 20 de maio de 2025 pelo site The Verge, criticou abertamente essa tendência. O texto, intitulado “Why AI food looks like that”, aponta exemplos reais de imagens geradas por IA que falham em representar a comida de forma realista. Camarões que parecem donuts, massas com textura de vermes, sorvetes com aspecto de material de construção e frango com fibras artificiais são apenas alguns dos casos citados.
Mas por que a IA erra tanto na hora de “cozinhar” imagens? A explicação é simples: os modelos de IA generativa, como o DALL-E, Midjourney ou Stable Diffusion, são treinados com milhões de fotos de comida da internet. No entanto, eles não entendem o que é um prato apetitoso de verdade. Eles apenas combinam padrões visuais, muitas vezes misturando elementos de forma incoerente. Por exemplo, para criar um “camarão frito”, a IA pode pegar a textura de um donut e a cor de um camarão, gerando algo que nunca existiu na natureza.
Restaurantes e marcas – especialmente os menores, que não têm orçamento para fotógrafos profissionais – estão recorrendo a essas ferramentas para economizar tempo e dinheiro. Mas o tiro pode sair pela culatra. Uma imagem de comida que parece artificial ou repulsiva afasta clientes em vez de atraí-los. Pesquisas informais em redes sociais mostram que consumidores já estão desconfiando de fotos que parecem “plásticas” ou “muito perfeitas” – e as imagens de IA caem exatamente nessa categoria.
Para especialistas em marketing digital, a lição é clara: a IA pode ser uma aliada, mas não substitui o olho humano. “A comida é um dos produtos mais sensoriais que existem. As pessoas comem com os olhos antes de levar à boca. Se a imagem não parecer real, a confiança vai embora”, explica a consultora de branding alimentar Carla Mendes, em entrevista à nossa reportagem.
Enquanto isso, a tecnologia continua evoluindo. Já existem ferramentas de IA mais avançadas que conseguem gerar imagens mais realistas, mas ainda carecem do toque humano – como a iluminação correta, a textura real dos alimentos e o apelo visual que só um fotógrafo profissional consegue capturar. A pergunta que fica é: até que ponto vale a pena abrir mão da autenticidade por uma economia de custos? Para o consumidor final, a resposta parece ser: não vale.
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